Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Calvino e as Escrituras

"Como filho de seu tempo, lutando contra séculos de interpretação alegórica e tendenciosa, Calvino deu passos visíveis em direção contrária. Ele afirma que “O verdadeiro significado das Escrituras é aquele que é natural e óbvio”. A habilidade em ir “da mera letra, além” e observar a intenção das palavras e seu autor é fundamental para qualquer intérprete e, principalmente, para aqueles que vão interpretar as Escrituras."


Encontrado no Trento na lingua

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Cosmovisões fracas produzem cristãos fracos.

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

500 anos de Calvino

Só pra lembrar!

Sábado, 25 de Outubro de 2008

Diálogos (1)

. . . . . .
Cris says:
_Rsrsrs! Quem sabe?
Alexsandro says:
_Sei não.
Cris says:
_Só o Deus Vivo e Verdadeiro...
Alexsandro says:
_É Verdade.
Cris says:
_Agora o deus do Teísmo aberto não sabe!
_Será uma surpresa para ele...
Alexsandro says:
_É hahahah!!!
Cris says:
_Ele torce pra que dê tudo certo!!

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Ultimas

Bem, sem mais justificativas pela ausência de posts, nesta seguna feira, passei por uma pequena cirurgia com o objetivo de retirar um pequeno tumor na parte posterior na minha coxa direita, nada demais apesar dos vários pontos e de uma semana de molho. Quando passamos por algo assim damos muito mais falor a anestesia do que de costume.

Caso queiram ler boas coisas visitem o blog do meu querido amigo André Venâncio. Vejam também o blog de um outro amigo Gustavo Nagel.

Nas minhas andanças encontrei um outro blog lusitano que muito me agradou, confiram: http://subcristao.blogspot.com/.

Acabo de ver pela televisão o desfecho do sequestro de uma moça em São Paulo, e fico impressionado com a burrice e sensacionalismo da imprensa brasileira.

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Pregação

“Eu me empenho com toda veemência de palavra com o propósito de desarraigar e expulsar do coração e da vida deles um mau tão cruel e inveterado. Não foi, contudo, quando ouvi os aplausos, mas quando vi as lágrimas deles que achei que tinha produzido efeito. Pois o aplauso mostra que eles foram instruídos e se deleitaram, mas as lágrimas, que foram subjugados ”

Comentário de Agostinho, feito no capitulo 24 do seu tratado homilético, onde menciona a reação que anelava com sua pregação.

É um objetivo bem diferente dos que vemos hoje em muitos pregadores, ainda precisamos de Agostinhos.

Santificação

Agora podemos indagar: Qual é a natureza da santifcação lavrada nos crentes?
É uma santificação pessoal... uma santificação real... de toda a natureza, tanto corpo como da alma.
Não é uma santificação para ser completada nesta vida. A obra prossegue por toda a vida do crente, e não é terminada antes da morte... Paulo constantemente falava de si como ainda lutando contra o poder do pecado, como não havendo ainda alcançado, como golpeando seu corpo e submetendo-o a fim de não ser rejeitado. E assim nos proporciona, na descrição de sua experiência, um modelo do que é universalmente conhecido como pertinente a todo cristão...
(Mas) a santificação parcial desta vida é também progressiva... é o desenvolvimento da semente plantada, que constantemente produz folhas novas e novos frutos; ela cresce com um maior conhecimento intelectual da verdade de Deus, com uma percepção mais clara da pecaminosidade e da corrupção humanas, com uma fé mais forte, uma esperança mais viva, e uma segurança maior da aceitação de Deus, com uma concepção mais franca do amor sacrificial de Cristo, e com uma crença mais realizadora em sua presença constante, e o conhecimento do que fazemos. Ela aumenta a partir de sua propria força adquirida, e através do sofrimento e da ação na qual se desenvolve... as tentações e as lutas entram nesse progresso, e não apenas elas, mas até mesmo os pecados e falhas que arruínam a vida cristã. O processo de santificação é como a subida de uma montanha. A pessoa vai sempre em frente, embora nem sempre para cima, ainda que a finalidade do movimento progressivo, qualquer que seja ele, seja atingir o cume. Às vezes, por causa das dificuldades, a própria trilha desce, apenas para mais facilmente voltar a subir... Amiúde se teme não haver subido; freqüentemente se pensa que é um descer contínuo, até que, por acaso, obtém-se um ponto de vista do qual se pode mirar a planície onde começou a viagem, e contemplar a altura que já se atingiu. Muitas vezes, com os pés cansados e o coração desanimado, o viajante encontra-se à beira do desespero por causa de sua própria fraqueza e das dificuldades que o rodeiam. Mas ele empurra-se severamente adiante, e a jornada é completada; a escalada é feita e o fim, alcançado.

“Santificação”, Abstract of Systematic Theology, 1887 James P. Boyce

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Reencontrando amigos

O Orkut é odiado por uns e adorado por outros, isso me fez lembrar uma piadinha que ouvi semana passada, mas deixa pra lá. Eu penso que ele tem lá suas utilidades, mas uma utilidade emespecial me surpreende, é a possibilidade que ele oferece de rever amigos, os quais há muito não sevia.
Há alguns dia atrás tive o prazer de reencontrar meu amigo David e descobri que ele tem um blog o evangelinus, não deixem de vistá-lo, encontrei também a Débora, irmã do David, a ultima vez que os vi foi em 2000, já se vão 8 anos.

Tive o imenso prazer de reencontrar, também, o Seu Silas, um senhor de 67 anos de idade que a ultima vez que o vi foi no casamento de sua filha, pra ser mais exato em 27/03/1999.

E não, o Orkut não é coisa do diabo, a não ser que o diabo seja dono do Google, da mesma forma que a música não é coisa do diabo, Toda criatividade e engenhosidade humanas são expressão do Deus criador, assim amados irmãos, devemos usar essas ferramentas para honrar e glorificar a Deus.

Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Sobre Kaká. (um bom exemplo para jovens)




Na ultima noite do ano resolvi ficar em casa e colocar algumas coisas em dia, ou pelo menos tentar. Nas minhas andanças virtuais encontrei no site o verbo um desabafo do Fábio Bettes sobre um artigo de um "jornalista esportivo", o jornalista criticava o Káka e suas ações, leiam a resposta, eu gostei muito, por isso tomei a liberdade de postar na integra a matéria aqui.

http://www.overbo.com.br/modules/soapbox/article.php?articleID=42

Fábio Bettes
Sobre o artigo "Jesus, Amor, etc"

Esta foi a carta que enviei ao colunista de esportes da Folha de S. Paulo, em relação à matéria publicada neste jornal no caderno de esportes de sábado (22/12/2007). Não posso me calar diante dos absurdos que ouvimos e lemos por aí, que indiretamente atentam contra a nossa fé e o nosso Deus.
Curitiba, 22 de dezembro de 2007.

José Geraldo Couto:
Li seu artigo publicado na Folha no sábado (22/12/07), no caderno de esportes. Sem me prolongar muito nesta introdução, vamos ao que tenho a lhe dizer.

Primeiro

Não gosto, particularmente, desta mania que o ser humano tem de eleger para si ídolos, modelos de vida, de princípios e de mentalidade. Agora, infelizmente para uns, felizmente para outros, eles surgem ou, então, são criados. Kaká é o modelo em discussão; na sua opinião, um modelo superado, anacrônico e conservador. Por quê? Basicamente porque ele é diferente dos modelos, ou melhor, ou pior, dos lugares-comuns do meio futebolístico. Você ataca o “conservadorismo” de Kaká, mas você é quem demonstra o autêntico conservadorismo em relação ao modelo ideal de jogador, exemplo de virtude para os jovens: mulherengo, chegado a bebida, pitando um cigarrinho e de vida boêmia – cá entre nós, que coragem a sua em dizer tamanha besteira, hein?
Repito que não aprecio esse papo de modelos. Kaká pode até ser uma opção careta a essa juventude, mas não uma opção ultrapassada, ou então ridícula, ou então pior do que os modelos citados por você.

Segundo
Kaká errou, sim, em sair defendendo o casal criminoso da Renascer, e você acertou em pontuar tal falha do melhor jogador do mundo. Agora, misturar tal fato com a questão da virgindade – uma opção dele e de sua esposa – não apresenta o mínimo cabimento lógico-argumentativo. Colocar Kaká como o ressuscitador do discurso Tradição, Família e Propriedade é apenas um mote seu para a escrita de sua crônica, usado de modo inadequado ao contexto.
Mas aproveitando o seu mote, posso dizer que o seu texto, Zé, é que ilustra esse trinômio: a visão tradicional do futebol como coisa de malandro e para malandro; a familiaridade-conivência com os desvios de conduta ética e profissional; a propriedade com que se demonstram preconceitos e intolerâncias para com os terceiros ou diferentes.

Terceiro
O problema, Zé Geraldo, não é simplesmente o fato de você não aceitar Kaká como um bom modelo para os jovens. Você vai além: Kaká é mau exemplo, mas os “boleiros”, no sentido mais estrito e pejorativo do termo, são, de fato, os bons exemplos para a juventude. Que as mães das futuras Marias-Chuteiras prestem bastante atenção: exemplo não é o insípido Kaká, mas o sexy Vágner Love; que o Ministério da Saúde esteja atento: exemplo não é o careta Kaká, mas os imperadores e reis da noite, como Adriano ou Romário.
Quarto
Seu artigo premia justamente tudo aquilo que hoje nos foi mais prejudicial do que benéfico, tanto no meio futebolístico como em nossa vida em geral: a malandragem, a contravenção e a falta de seriedade. E não me venha dizer que somos os grandes vencedores do futebol por conta desse nosso “jeitinho”. Bem, nem preciso listar os inúmeros exemplos de derrotas ocasionadas por essas libertinagens, não? Você é um profissional nos assuntos da bola e um cidadão provavelmente indignado com tantas molecagens e safadezas de nossos políticos.
Quinto
Você acha a virgindade algo superado nos dias de hoje. Tudo bem, é a sua opinião. Mas veja a sua ingenuidade e leviandade ao abordar tal questão: o que se propõe como contraponto à virgindade: o sexo livre, casual, sem compromisso? A banalização do sexo, por acaso, é o modelo para ser seguido por essa juventude? Eu não acho. Bem, mas eu sou talvez mais um careta como o Kaká, na sua opinião. Agora, o Ministério da Saúde também não enxerga com tanta boa vontade essa banalização, pois tem de lidar com o subproduto disso a cada dia. Artigos como os seus passam, mas os índices absurdos de gravidez na adolescência vão se dilatando, bem como o número de infectados por doenças venéreas. Ah, vale também citar os problemas de ordem econômico-familiar gerados por um filho não planejado e, às vezes, nem desejado.
Sexto
Já passou da hora de pararmos de idealizar a malandragem, principalmente no meio esportivo. Esta visão, sim, é a coisa mais anacrônica que existe em tempos de alta performance, de contratos milionários e de público na casa dos bilhões. Aliás, Zé Geraldo, dentro deste contexto, Kaká é bom exemplo, sim, e muito melhor do que os preconizados ingenuamente por você – e os contratos publicitários deste jogador confirmam o que escrevo aqui.
Sétimo
Paro por aqui, pois minha resposta já é maior que seu texto, o que revela minha pouca habilidade com as palavras, mas também a minha indignação diante de julgamento tão raso promovido por você, não sobre Kaká, mas sobre as bandeiras que ele tremula.

Fábio Bettes
Professor de Literatura, autor de livros didáticos, paranista entristecido pelo recente rebaixamento, leitor da Folha de S. Paulo, casado com a Andréa, pai do Davi (5 meses) e da Laura (2 anos), que preferia ter como genro o careta Kaká ao pegador Vágner Love.

Sábado, 29 de Dezembro de 2007

Quero Crer (reedição)

Estou reeditando esta postagem porque ela foi muito importante na minha vida e continua atual.

Há Alguns dias atrás, o ônibus passou no ponto antes que eu conseguisse chegar e mesmo não fazendo nenhum gesto, ele parou e esperou pacientemente, ou seja, eu não fiz nada para que ele parasse.

No trabalho, recentemente, fui promovido a responsável por toda área de infra-estrutura civil da empresa em que trabalho, as atividades têm sido muito corridas, nesse caso eu não só não fiz nada para que isso acontecesse como por várias vezes pensei em desistir da responsabilidade. Talvez você esteja se perguntando: E daí, o que isso tem haver?
Perceba que há um ponto de contato entre as duas situações, ou seja, nenhuma delas partiu da minha vontade, na primeira situação a percepção de que a paciência do motorista foi boa para mim foi imediata. Na segunda situação a compreensão de que algo bom acontece não é tão perceptível assim, pelo menos não pra quem a vive, todavia, a segunda sentença não compreende uma situação finda, ela narra uma situação em movimento, assim, quero crer que da mesma forma que a primeira situação foi boa, a segunda, em seu findar, também será boa. Creio que Deus está no controle de todas as situações da nossa vida.
Nesse caso a diferença entre minha visão e a visão de Deus é que a visão de Deus é integral, ela abrange o ontem, o hoje e o amanhã. Perceba que a minha percepção se limita a situações breves e conclusas, a de Deus não, por isso, quero crer.

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

SALMO 131

Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grande coisas, nem de coisas maravilhosas demais pra mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre.

Sábado, 14 de Julho de 2007

Amazing Grace

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Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

A “liberdade total” é tão perniciosa quanto a “ausência completa de liberdade”.

“O perigo da cultura popular moderna fora predito por Aldous Huxley em seu romance clássico antiutópico Brave New World (Admirável Mundo Novo) – o qual contrasta firmemente com outro romance antiutópico, 1984, de George Orwell. Orwell alertou sobre um governo comunista que baniria os livros, Huxley alertou sobre um governo ocidental que não precisaria bani-los – porque ninguém mais leria livros sérios. Orwell previu uma sociedade despojada de informação por sensores do governo; Huxley previu uma sociedade supersaturada de informação pela mídia eletrônica - até que as pessoas tenham perdido a habilidade de analisar o que viam e ouviam. Orwell temeu um sistema que dissimulava a verdade debaixo de propagandas e mentiras do governo; Huxley temia um sistema onde as pessoas deixassem de se preocupar com a verdade e se importavam somente com o entretenimento. Orwell descreveu um mundo onde as pessoas eram controladas pela imposição da dor; Huxley imaginou um mundo onde as pessoas eram controladas pela imposição do prazer. Os dois romances tem provado ser extremamente precisos – Orwell descrevendo a praga totalitária do nosso século, Huxley a doença das afluentes sociedades livres.
Huxley continua a castigar os partidários civis do livre-arbítrio no ocidente, os quais estão sempre alerta contra a tirania externa imposta, mas falham em perceber a facilidade com que podemos ser seduzidos e atraídos em direção a uma opressão insana pela tecnologia: esses guardiães da liberdade, afirma, têm “falhado em considerar o apetite quase infinito do homem por distração”. E em nenhum outro lugar esse apetite por distração banal e vazia da cultura popular é mais sedutor do que na América.”

Charles Colson & Nancy Pearsey, E Agora Como Viveremos? CPAD 2000, pg 547

Passo a transcrever alguns trechos do livro que li recentemente, esse em particular é um trecho que me chamou bastante a atenção, perceba os resultados semelhantes de dois tipos de tirania, de um lado a imposição da ausência completa de liberdade, de outro, a exigência de liberdade total, note como o as autores convergem para uma mesma conclusão.

A “liberdade total” é tão perniciosa quanto a “ausência completa de liberdade”.

Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

Algumas citações

Recebi algumas citações por email e vi muita relevância assim resovi postar algumas aqui.

"Em suas aulas no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o professor Luiz Felipe Pondé esclarece que o relativismo moral de fato seduz e encanta, mas “é algo que surge como uma peste e a geração dos liberais o coloca em prática como um avanço na sociedade” (Crítica e Profecia, p.243)."

"O padrão de conduta é alto demais e a carne é fraca demais, todavia a salvação é grande demais"

"Cristão que se preza prefere permanecer sob normas e não sob ímpetos. À semelhança de Moisés, prefere sofrer com o povo de Deus o desprezo por causa de Jesus “em vez de gozar, por pouco tempo, os prazeres do pecado” (Hb 11.25, NTLH)!"

Eu creio na Igreja

A igreja é um objeto da fé. No Credo Apostólico afirmamos: "Creio em Deus Pai, Criador..., em Jesus Cristo, seu unigênito Filho..., no Espírito Santo..., na Santa Igreja Católica Apostólica..., na comunhão dos santos... na ressurreição do corpo e na vida eterna".Cremos na igreja. O Credo Apostólico não diz que a igreja é uma organização que nos ajuda a crer em Deus, mas que devemos crer nela da forma como cremos em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, vida eternal, etc. Crer na igreja parece ser mais difícil do que crer em Deus. Deus é fiel, imutável, pleno de amor, graça e perdão. É justo, compassivo, misericordioso e paciente. Não mente, é leal, confiável. Nos aceita como somos e recebe-nos como seus filhos amados. Não é muito difícil crer num Deus assim. Mas, e crer na igreja? Comunidade de pecadores, infiéis, injustos, fofoqueiros, maledicentes, intolerantes, maliciosos, inconstantes, mentirosos, falsos e hipócritas. Lugar onde o amor é condicional, o perdão negociado, a paciência limitada, a aceitação somente entre os iguais.
Como é possível crer em duas realidades tão distintas?
Ouço com freqüência crentes afirmarem sua fé em Deus e suas suspeitas para com a igreja; sua confiança em Deus e desconfiança dos irmãos; sua esperança em Deus e suas promessas e desesperança na igreja e seu futuro.Separamos Deus da igreja. Num depositamos a fé, noutro suspeitas. Um é divino, outro humano. Deus e igreja são mundos distintos. Podemos crer num e descrer do outro. No entanto, o credo que confessamos afirma que cremos em Deus e cremos também na igreja. Uma saída para esta tensão é a de achar que a igreja do Credo Apostólico não é a minha igreja onde congrego, mas a igreja invisível, o corpo místico de Cristo, a igreja do Senhor espalhada pelos quatro cantos da terra. Esta igreja que não vejo, não comungo, não conheço, perfeita na minha imaginação é, para muitos, a igreja do Credo, a igreja que cremos. Porém, esta igreja invisível, universal, não é diferente, em sua natureza, da igreja real, visível e local em que congrego. Quando o Credo Apostólico fala da igreja, não se refere a outra igreja, aquela da nossa imaginação, mas à igreja que conhecemos tão bem, que domingo após domingo nos convida à mesa da comunhão. É nela que devemos crer. Creio em Deus e, creio também na igreja. Creio num Deus justo, santo e perfeito e, creio numa igreja de pecadores infiéis. Crer em Deus e na igreja não significa que ambos são da mesma natureza, mas que ambos fazem parte de um mesmo propósito. O Deus criador, Filho redentor, Espírito santificador, encarnação, cruz, morte, ressurreição, igreja, vida eterna, céu, fazem parte de uma história, de um plano divino. Não podem ser desconectados, excluídos. Fazem parte de uma só realidade. Embora a igreja seja uma comunidade de pecadores, confusa, constantemente envolvida em disputas, rivalidades e competição, ela continua sendo o povo de Deus, a comunidade daqueles que, em Cristo, foram adotados como filhos de Deus. É nesta igreja, santa e pecadora, que experimentamos a graça e o amor de Deus. Embora as pessoas que ali congregam sejam pecadoras, carregam consigo a imagem e semelhança de Criador e, na comunhão, experimentamos e tocamos, dia a dia, a beleza e santidade da obra de Deus. Não podemos amar a Deus se não amamos também nossos irmãos e irmãs, não podemos compreender e provar as virtudes da fé que temos em Deus se não for na comunhão com a igreja. Perdão, confiança, reconciliação, paz, mansidão, justiça, etc, nada podem ser compreendidos ou conhecidos se não for na companhia de outros. Crer na igreja é reconhecer a necessidade de que a verdadeira fé cristã só pode ser vivida comunitariamente. O individualismo é anticristão. Não há nenhuma possibilidade real de uma fé solitária, que se sustenta por si só; nem mesmo uma identidade que não reconhece a comunhão e a dependência. São Cipriano, mártir cristão, escreveu que "ninguém pode ter a Deus como Pai se não receber a igreja como mãe".Noutras palavras, o reconhecimento de Deus como Pai significa participar da comunhão dos seus filhos em amor. Creio em Deus e creio também na igreja. Quanto mais amo a Deus e provo de sua graça e perdão, mais a igreja faz sentido para mim. É ela que me mantém em contato com a realidade sobre quem Deus é, quem eu sou e como é o mundo onde vivo. A adoração, a eucaristia, a Palavra e a oração mantêm meus olhos abertos para não me corromper com as ilusões do mundo e seguir com fidelidade no caminho da fé.
Autor: Rev. Ricardo Barbosa de Sousa

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